Quando falamos de sala de aula, devemos nos preocupar com a eficiência daquilo que propomos. Não adianta fazer atividades super elaboradas, sem que um trabalho prévio seja reconhecido como importante. De nada adianta também, colocar atividades dinâmicas sem que elas estejam contextualizadas com a vida do educando, seu aprendizado e objetivos.

Pensando nisso, separamos 12 atividades que são indispensáveis dentro de sala. Poderíamos apenas citá-las, mas nosso objetivo é ajuda-los a compôr estas atividades  de modo a fazer destas, difusoras/culminâncias de conteúdos. Tais atividades servem como meios de proporcionar a ligação entre disciplinas, entre conteúdos ou términos de ciclos (semestres, trimestres ou bimestres).

seminários.png“Mas seminários são complexos para crianças!”
Os seminários estimulam a oralidade da criança. O professor deve proporcionar um ambiente que, aos poucos, favoreça a liberdade do aluno em compôr um discurso oral. Esse estímulo pode ser feito através de rodas de conversa ou debates.
“Mas debates com crianças?”
Sim. Através de textos/vídeos que contextualizem o assunto, o professor pode mediar pequenas discussões sobre questões da atualidade. Aos poucos, os alunos começam a expôr mais as suas opiniões e adquirem a capacidade de argumentação oral. 
A partir desse momento, é possível propor assuntos para que os alunos apresentem para a turma. O professor deve aumentar a dificuldade e complexabilidade conforme o desempenho e desenvolvimento dos alunos. É importante analisar sempre a faixa etária e o nível de amadurecimento da turma.

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Todo o ambiente escolar deve ser desafiador. Entretanto, propor desafios é algo que requer cuidado. Pois ao mesmo tempo que um desafio bem aplicado pode encorajar, um desafio pouco adequado pode frustrar e até mesmo entediar a criança.

Uma boa dica de atividade é a Caixa de Desafios. Essa caixa deve ser preparada previamente pelo professor. Deverá conter diversos desafios envolvendo diversos assuntos e disciplinas.  Esses desafios podem ser pegadinhas,  de lógica, charadas, etc.
Essa caixa fica dentro de sala e de acordo com a vontade do professor e seu planejamento, os desafios podem ser propostos para as crianças de maneira sortida. O interessante é que nem o professor sabe qual desafio será feito naquele dia. Esse tipo de desafio pode ser feito semanalmente ou quinzenalmente, o interessante é que estimula a capacidade de concentração e raciocínio de uma maneira descontraída. As crianças ficam curiosas e portanto se dedicam para desvendar a resposta.
O site RachaCuca possui ótimos desafios para todas as idades.

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O estudo dirigido nada mais é que um roteiro de estudos elaborado pelo professor. O Estudo Dirigido será feito pelo aluno sozinho, o que auxilia sua independência. Nele, o professor deve organizar e elaborar uma espécie de “aula escrita”. O aluno estuda sozinho, tendo como direção o roteiro escrito pelo professor.
“Estudo Dirigido é o mesmo que lista de exercícios?”
Não. No estudo dirigido é possível que existam exercícios, mas estes devem ser direcionados pelo professor através do roteiro: ou seja, o professor faz a mediação mesmo à distância.
Esse tipo de atividade é muito útil para compôr a síntese de conteúdos ou como revisão para avaliações, estimulando a autonomia.

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Toda criança, principalmente entre 3 e 7 anos, precisa fingir ser quem ela não é. Isso está intimamente ligado com a formação da personalidade e com a transferência do que é abstrato para o concreto. Embora cada teórico diga uma coisa diferente sobre a faixa etária que mais necessita do faz de conta, é fato que as crianças gostam disso, e se gostam e isso de fato faz bem para elas, tanto professores quanto os pais devem usar isso para potencializar a aprendizagem. Mediar situações, propôr brincadeiras que façam uso do faz de conta são os primeiros passos para que a criança se permita viver um personagem.
A falta de vivência do faz de conta faz com que por vezes, as crianças não desenvolvam a criatividade e acabam amadurecendo rápido demais. Afinal, se é negado a ela viver o faz de conta, ela acabará vivenciando experiências e etapas avançadas. Esse assunto é tão complexo que daria um artigo somente sobre isso.

Passando esta etapa onde o faz de conta é estimulado de forma natural, o professor pode começar a mediar dramatizações mais complexas, como releituras por exemplo.

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A melhor leitura é a voluntária. Os alunos devem ser convidados a participar da roda de leitura. Ninguém assume gosto por algo quando isso é feito por obrigação, muito menos crianças. As rodas de leitura necessitam ser prazerosas. De que adianta o professor impor uma leitura ou um livro a ser lido?
O professor pode convidar o aluno a participar da roda de leitura, mas se o aluno relutar, ofereça sempre opções do ele pode fazer.
“Você quer participar da roda de leitura ou prefere escolher algum livro para ler sozinho? Ou você prefere fazer um desenho livre?”
ao invés de:
“Joãozinho, você tem que participar da roda de leitura!”
Pode parecer estranho, mas a possibilidade da criança fazer o que você quer quando você oferece opções para ela é muito maior do que utilizando autoridade.

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Qualquer jogo é bem vindo quando falamos de sala de aula.
Há quem não goste de jogos competitivos. Realmente é importante que o professor tome cuidado para não tornar o espaço da sala de aula em uma competição. Mas jogos competitivos auxiliam muito as crianças a conhecer a frustração e a lidar com ela. Sim, pois a vida é uma instabilidade realmente. Nem sempre você ganha. Nem sempre você perde.

O professor deve evitar também competições baseadas em gênero: meninos VS meninas. Isso não acrescenta em nada e só oferece disputa pouco saudável entre os gêneros. Quando o professor escolhe um jogo competitivo é interessante que o próprio professor escolha as equipes para mediar e equilibrar as potencialidades dos infantes.

Mas sem sombra de dúvidas o professor deve estabelecer oportunidades para que os alunos convivam com diversos tipos de jogos. Existe um projeto muito interessante chamado RPG na Escola. No site deles é possível encontrar diversas ideias sobre como implementar jogos na escola.

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TODA ATIVIDADE LIVRE DEVE SER INCENTIVADA. Os alunos só desenvolvem a criatividade verdadeiramente quando não possuem amarras. Não é que os alunos não tenham que fazer atividades com regras, mas sim quando surge a oportunidade da criança criar, o professor não deve interferir.
Por isso é tão importante que a criança, ainda na primeira infância desenhe e pinte com abundância. Eles gostam de registrar o que veem e de inventar através do que vivem. O desenho livre, a leitura livre e a atividade física livre, potencializam o prazer pela atividade.

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“Hoje vamos fazer um trabalho em grupo.”
Mas o que é um trabalho em grupo, afinal? Será mesmo que um cartaz feito em grupo estabelece a boa convivência com a diversidade? De fato é um meio de se conseguir isso. Mas é interessante deixar claro para os alunos que o trabalho em grupo é algo que ultrapassa o simples ato de realizar uma tarefa em conjunto.

É mais importante esclarecer o significado de cooperação. Cooperar é ter a certeza que parte do sucesso ou fracasso de uma atividade possui algo que é seu. Se a tarefa fracassou, todos fracassamos, se a tarefa foi um sucesso, todos tivemos sucesso.

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O aluno pesquisador aprende com os outros e aciona dentro de si algo que todos temos em diversos níveis: o autodidatismo. Esse assunto é amplo e necessita de muito mais espaço para ser discutido ultrapassando o espaço deste artigo. Mas é fato: o aluno que pesquisa, lê mais, conhece mais, critica mais e cria mais. Pelo simples motivo de que ele não é passivo ao conhecimento. Ele não espera que o conhecimento vá até ele. Ele pesquisa, pergunta, questiona, tornando-se o principal gestor da sua aprendizagem.

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O estudo de casos tem o foco de trazer atividades do campo teórico para o campo prático. É comum que dentro das faculdades os professores passem diversas teorias para os futuros professores. Mas poucos oferecem a oportunidade de criar situações onde o aluno de fato utilize aquilo. Por exemplo: Como agir quando o aluno não quer fazer uma atividade?
No Direito, é comum vermos os professores simulando um tribunal dentro de sala. Os professores oferecem casos a serem analisados e solucionados pelos alunos. Isso aproxima o aluno da prática.
Para crianças é interessante manter o foco em um problema ou desafio para superá-lo ou compôr estratégias para solucioná-lo. Por exemplo: depois do professor falar sobre problemas ambientais ele pode separar uma situação (ou desastre natural) que realmente ocorreu e pedir para que os alunos respondam as seguintes questões:

  • Como esse desastre poderia ter sido evitado?
  • O que precisaríamos fazer para que isso não ocorra novamente?
  • Como solucionar os danos causados?
    Mais detalhes de como elaborar um estudo de casos  Aqui.

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A música desenvolve o vocabulários infantil. A criança que possui acesso à diversidade musical aprende mais rápido, possui sensibilidade, interpreta, possui familiaridade com outras línguas e outros vocabulários, entre outros benefícios.

A música pode ser usada como exercício de concentração, para acalmar, para contextualizar um conteúdo, para criar, enfim… São infinitas possibilidades que dependem exclusivamente da criatividade do professor. É um recurso barato e fácil de ser utilizado em sala.

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As artes manuais são atividades que na primeira infância despertam muito prazer. Elas desenvolvem diversas habilidades que no futuro fazem toda a diferença. As artes em geral fomentam a criticidade sobre o que é belo para si, desenvolvem as capacidades motoras, habilidades de concentração e a criatividade. Já mencionamos sobre o assunto algumas vezes aqui no blog no post sobre Pedagogia Waldorf e sobre Artes na primeira semana de aula. Mesmo fora da disciplina de Artes, a arte deve estar presente.

Forte abraço e até a próxima :*

 

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