Não é a primeira vez que falamos sobre Diversidade aqui no Educador Criativo. Fiz um post sobre Diversidade Religiosa e dei um exemplo de atividade e Projeto sobre diversidade e preconceito para ser trabalhado em sala de aula. No final do post, você encontrará alguns artigos sobre o tema.

Introdução

Normalmente professores confundem-se ao acreditar que falar sobre gênero em sala é compor este tema como parte do conteúdo a ser cobrado. Particularmente sou contra a fragmentação de conteúdos, apesar dela poder ser feita. Esse texto tem como finalidade desenhar um ponto de partida para aqueles professores que ainda não estão adaptados a essa nova demanda de conhecimento, já que: Precisamos falar sobre gênero.

Falar sobre gênero nada mais é do que abrir o debate para que este tema seja dialogado em sala de maneira interdisciplinar. O tema deve ser trabalhando dia a dia, desfazendo paradigmas e tabus. Para falar de gênero, é preciso que o professor conheça o que é essa realidade para então saber lidar com situações vindouras e para que saiba mediar debates sobre o assunto.

É impossível negar a importância da discussão sobre o tema diversidade de gênero. Não falarei em ideologia, pois isso não existe. A ideologia é pessoal. O que temos aqui são fatos indiscutíveis: mulheres morrem e são mortas por homens devido a violência doméstica e a relação de poder que existe.

Ao lidar tão de perto com crianças, vivenciamos uma série de relatos assustadores. Pais viciados em drogas ou bebidas, mães que fogem sem dar motivos, crianças que são agredidas de alguma forma ou que relatam a agressão que presenciam em casa. Tomamos as medidas que nos são atribuídas nesses casos. Mas pergunto: Como não perpetuar situações desse tipo?

Ao contrário do que muitos pensam não é necessário uma cartilha para tratar desse assunto, muito menos livros explicativos. Se sua escola possui esse tipo de cartilha, se adapte. Mas é através da leitura e diálogo que chegamos a esse tema.

Um ponto de partida

Supomos que você tenha que trabalhar verbos, numerais e interpretação de texto em geral. Para isso você escolhe o gênero textual notícia/reportagem. Ao escolher a notícia, você pode optar por uma que retrate a agressão doméstica entre um homem e uma mulher. Ao mesmo tempo em que você ensina a estrutura e característica textual, gramática e semântica, você pode construir um debate ou perguntas reflexivas sobre as atitudes dos personagens da notícia. É possível compor reflexões acerca do gênero, sobre a gramática, sobre a violência de modo geral ou especificamente a doméstica.

Logo, não é necessário que o tema seja abordado de modo específico. O assunto é diário e deve estar incrustado tanto quanto temas sobre diversidade religiosa, cultural, étnica, ideológica, meio ambiente e saúde.

A brincadeira

Outro tema bastante questionado é a brincadeira. Afinal, existem brincadeiras de menino ou menina? O que vai determinar isso é o contexto em que a criança vive, seu gosto pessoal, suas vivências, entre outros aspectos que podem variar muito.

  • Nunca interfira na vontade que a criança expõe sobre um brinquedo ou brincadeira. A brincadeira é uma forma de expressão, logo, quando não é agressiva ou perigosa, deve ser estimulada.
  • Crianças gostam de brincar. Independente se com brinquedos caros ou potes de cozinha. Quando bebês, gostam de brincar com tudo o que veem, pouco importando se é a fruta falsa em cima da mesa ou com uma Baby Alive. Deixe a criança brincar livremente. Professor, não abandone a brincadeira livre, não interfira no processo criativo da criança.
  • Respeite o gosto pessoal da criança para as brincadeiras, mas SEMPRE convide-as para participar de outras experiências. Muitas crianças não fazem uma determinada atividade pois se sentem inseguras em participar. Convidar para participar é o mesmo que aproximar a criança daquela experiência.

Estou indo embora agora, por favor não implora, porque homem não chora

  • Que tal propor um debate sobre essa música do Pablo?

A Transexualidade

Um assunto muito discutido e criticado por pessoas mais tradicionais é a transexualidade.

Ainda que existam sinais desde a primeira infância, isso só é plenamente desenvolvido quando a criança entra na pré-adolescência. Um menino que brinca de boneca não é necessariamente transgênero. Ele apenas pode desejar expor seus sentimentos, sua criatividade ou desejos através daquele tipo de brincadeira. Pode também estar imitando o que vê. O importante é deixar a criança brincar livremente, respeitando suas opções ao brincar. A criança está em meio ao processo de formação de sua identidade, logo, precisa ser respeitada. Parte dessa construção de identidade determinará seu gênero.

Esse tema pode ser abordado do mesmo modo que a violência doméstica: de maneira interdisciplinar. O diálogo entre os próprios alunos, expondo suas opiniões e vivências, mediado pelo professor, é a melhor maneira de conscientização. De acordo com o currículo da escola, projetos podem ser desenvolvidos de maneira específica.

Foque no conceito da palavra RESPEITO.

Participação da família e comunidade

Dialoguem com os familiares dos alunos sobre o tema. Não adianta a escola falar uma linguagem, quando os pais dizem outra. Para que exista sintonia é imprescindível que a escola fale a mesma linguagem que os pais e estejam de acordo. Sejam sensatos na hora em que forem mencionar informações, principalmente de acordo com a faixa etária da criança. Existe hora para compreender tudo.

Conclusão

O professor não deve diagnosticar ninguém. Caso sinais de transexualidade sejam observados, o professor deve informar aos coordenadores e orientadores para que profissionais capacitados façam a intervenção e a família seja conscientizada. Não entrarei nos paradigmas que envolvem o termo como patologia ou não, mas o  importante é que o pré-adolescente/jovem não sofra. O professor deve proporcionar um ambiente amistoso e saudável para este aluno vivencie sua socialização, sua aprendizagem e sua autonomia. Em caso de violência doméstica o mesmo deve ser feito. Pequenas iniciativas contam muito, encontre o seu ponto de partida.

Estamos aprendendo também, logo, aceitamos críticas e debates amistosos sobre o tema, pois sabemos que este assunto é complexo. Forte abraço :*

Artigos de apoio

Artigo sobre transsexualidade

Artigo sobre violência doméstica

Atigo sobre a violência e influência na infância

Vídeos para escutar histórias. Se coloque sempre no lugar do outro.

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