É preciso ter em mente que a educação está em constante movimentação como mencionei no post sobre Educação Holística. Dizer que o aluno não é passivo ao conhecimento adquirido na escola é “chover no molhado”. Mas será que os professores estão aptos para lidar com a tempestade de conhecimento que as crianças estão sendo expostas? A resposta é não.

Os professores resistem e se rendem às limitações dos livros didáticos. Limitam a si mesmo e aos alunos. Se negam a cooptar pela boa convivência com os meios de comunicação. Colocam vendas, tornando-se seres inúteis dentro de sala. Inúteis pois aquilo que o professor diz pode ser facilmente encontrado no Google.

Para ser útil, o professor precisa analisar as necessidades individuais e suas inteligências. Mas afinal, o que é um aluno inteligente?

Certa vez em um conselho de classe, a orientação perguntou aos professores da turma qual era o aluno destaque naquele trimestre. O professor de português se prontificou a dizer que X era o melhor. O professor de matemática discordou; disse que era Y. A professora de artes encabulada, disse que X e Y não eram bons em Artes, mas que Z era ótimo! O professor de Educação Física discordou, e incisivamente disse que era o aluno M o melhor aluno da sala.
A orientadora ficou sem saber o que fazer, acabou ignorando aquela situação e resolveu escolher como melhor o aluno que se destacava em Português.

Essa situação é comum e podemos observar 3 erros principais:

  • O conhecimento fragmentado em disciplinas que não atendem as peculiaridades dos indivíduos;
  • O preconceito existente em áreas inteligíveis menos valorizadas pela sociedade;
  • A escolha de um melhor aluno em detrimento de outros que não se enquadram na fragmentação.

As ideias de Gardner findam esta problemática. Ele sugere ser possível estabelecer pelo menos 9 tipos de inteligências. Todos temos estas inteligências em diferentes níveis.Na situação que vivenciei, houve mais do que um simples embate de opiniões. Houve a identificação de que os alunos podem se sobressair em diversas áreas de conhecimento, dando valor à sua própria inteligência.  Os estudos de Gardner nos fazem perceber as nuances e variações  existentes.

O teste de QI foi por muito tempo único. Pode servir para obter uma análise geral da inteligência de um indivíduo. Mas somente este, torna-se ineficiente para o contexto escolar. Principalmente quando estamos falando de uma escola que respeita as peculiaridades individuais e visa estimular todas as áreas do intelecto humano.

Inteligencias multiplas.jpg

Não quero colocar em cheque as ideias de Vigotski sobre a zona de conhecimento proximal, embora elas se adequem aos estudos de Gardner. Sabemos que todo indivíduo possui inteligências múltiplas em diversos níveis. Quero propôr a reflexão sobre a importância da autonomia deste indivíduo para conduzir sua aprendizagem; potencializando as inteligências que lhe são mais úteis, favoráveis e prazerosas.

Quem sabe assim, situações como a que vivi não aconteçam. E que pessoas sejam recompensadas de acordo com suas conquistas, de acordo com o sucesso em tarefas que lhe são úteis. Menos julgadas por aqueles que, há muito tempo, são apenas coadjuvantes no processo de construção do conhecimento.

Beijos e até a próxima! :*

Anúncios