A ideia de que a Educação Infantil servia apenas para cuidar é deveras ultrapassada. Quando falamos em Educação Infantil, temos como prioridade o convívio social, interação com o meio e o brincar.
Venho lendo muitos artigos e notícias contra a Alfabetização na Educação Infantil. Sou a favor e explico.

Vivemos em um mundo letrado. Para que exista plena interação com o meio é necessário que a criança conviva com a língua escrita. Logo, quanto maior é sua convivência com a escrita, maior é sua interação com o meio.

Paulo Freire sugeriu em seus ensaios que os adultos deveriam aprender com suas experiências vividas. De fato os adultos possuem experiências para serem selecionadas e para que façam parte de seu processo de aprendizagem. Entretanto, crianças são seres que não possuem grandes experiências. Crianças aprendem por experimentação. Elas acumulam essas experiências para então conseguir equilibra-las. (Zona de Desenvolvimento Proximal de Vigotski) Onde quero chegar com isso?

Para aprender a ler e a escrever a criança precisa “experimentar” a escrita. 

A realidade da sala de aula é dura. A cada ano vemos o processo de compreensão da escrita sendo prolongado. E de fato é um processo contínuo e longo. Ocorre que sua proficiência vem sendo danificada.
Magda Soares relata que “quanto maior é o Letramento, mais fácil será a Alfabetização”. Sendo assim, a experimentação contínua da língua desperta o interesse natural das crianças pela leitura e escrita. É algo que vem de dentro para fora.

Mencionei que crianças aprendem por experimentação, interagindo com o meio. Quanto maior é a interação da criança com o meio, maior será seu acúmulo de experiências, por conseguinte, seu contato com a leitura. Mencionei também que para haver plena interação com o meio, a leitura e escrita é de suma importância; quando a criança sente a necessidade de estabelecer contato com a leitura é a evidência de que ela PRECISA ser alfabetizada para interagir com o meio.

Há muito tempo venho questionando a utilização das teorias de Freire sobre alfabetização. Crianças não aprendem como jovens e adultos. O professor não pode basear seu ensino em experiências vividas, o professor deve basear suas aulas em experiências a serem vividas. Como? Proporcionando tais experiências, sem ignorar seu conhecimento prévio.

Não existe uma idade ideal para se aprender a ler e a escrever. Estamos falando de indivíduos peculiares, com potencialidades diferenciadas.
Quando a escola e pais promovem forte experiência sensorial, motora, lúdica, linguística e lógica para o educando, maiores são as oportunidades da criança desenvolver a NECESSIDADE em aprender a ler  e escrever. Não penso na leitura como uma opção. Penso como uma necessidade. Compreender o mundo é uma necessidade natural. Sendo a escrita uma ferramenta para compreensão do mundo, ela passa a ser necessária para o educando.

Quando a criança conta histórias

Quando o nível de experiência base (amadurecimento) é alcançado, temos a fase em que a criança conta histórias. Esse é o primeiro sinal de que o seu aluno/filho quer aprender a ler.

Quando a criança é estimulada com experiências de mundo e leitura, ela passa a ter curiosidade sobre a escrita. Começa a entender o processo de leitura e por conseguinte passa a saber contar e recontar histórias. Ela pega o livro, e com os dedos acompanha uma leitura inventada – nesse momento, ela está pedindo para ler e escrever. Está clamando por autonomia. 

Negar isso é ceifar a oportunidade da criança em obter novas informações sobre o mundo que a cerca. Isso pode ocorrer aos aos 3, aos 4 ou até mesmo aos 7 anos. Variando de acordo com as necessidades individuais, experiências e estímulos recebidos. O processo pode ser adaptado.

A Alfabetização não anula a brincadeira. A brincadeira não anula a alfabetização.

Um argumento contra a alfabetização que escuto muito é o de que as crianças se sentirão “desestimuladas” se aprenderem a ler cedo demais pois estarão pulando etapas.

O irônico é que tem-se a ideia de que o aluno não possui limite para o término do processo de Alfabetização (justificando o ciclo). Mas o início do processo tem sido imposto em um padrão: a criança só pode ser Alfabetizada no 1° ano. A individualidade só conta para o término do processo?

A resposta é não. Tanto o início quanto o término são variáveis. Se o aluno se sentir desestimulado, o motivo é simples: ele precisa de experiências novas. Por estar avançado ele precisa ser incentivado a viver tais experiências.

Mesmo que isso signifique não estar em igualdade com a maioria.

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