Tirei um tempinho de férias. Eu precisava organizar minha vida e organizar uns projetos pessoais e do blog, pessoal. Mas estou de volta com todo o gás. Seguindo a série de artigos sobre os materiais Montessori, espero que ajude e que seja enriquecedor para a sua formação.

INTRODUÇÃO

A educação Montessori é muito popular em todo o mundo. Tanto pela excelência de seu método completo e que é explorado em escolas específicas, como por professores que buscam estratégias para promover a aprendizagem em escolas públicas e de metodologia mista.
Assim como ensinamos a vocês o passo a passo da utilização do Binômio e do Trinômio, vamos lhe apresentar as famosas Sandpaper Letters ou Cartas de letras com lixas.
As Sandpaper Letters podem ser confeccionadas com os mais variados tamanhos, formas e materiais. As mais tradicionais são as cartas feitas em madeira, muito utilizadas em escolas que utilizam o método como norteador. As cartas feitas em madeira podem ser grandes, médias ou ainda podem ser bem pequenas para uso individual.
As letras são feitas de lixa e normalmente são exploradas pelos alunos para primeiramente reconhecer as letras e posteriormente para iniciar o processo de produção escrita.
As letras em lixa também podem ser feitas em papelão, plástico ou qualquer material que favoreça o seu manuseio. Obviamente, possuirá menor duração, mas garantirá o mesmo efeito ao educando. Com um pouco de criatividade é possível ainda substituir a lixa por outras texturas como “cola puff”, tecido, camurça, feltro, etc.

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O que é preciso saber?

É preciso ter em mente alguns conceitos básicos para compreender as motivações de cada um dos materiais Montessorianos. O principal conceito, quando falamos de desenvolvimento cognitivo prático é a autoeducação.

Montessori chamou o conceito de que crianças são capazes de educar-se de Autoeducação (voltada para a autonomia e autodidatismo).

Logo, crianças que estão ativamente envolvidas em uma ambiente preparado e que exercem liberdade de escolha, literalmente educam-se.
Os professores Montessori preparam salas de aula assim.

Entretanto, não basta que o conhecimento seja solto. É preciso compreender que Montessori fala sobre o uso da liberdade em favorecimento da aprendizagem. Isso não pode ser confundido com a desordem e a falta de planejamento. Muito pelo contrário. Para ela, toda a aprendizagem deve ser ordenada. Logo, os instrumentos montessorianos são organizados, planejados e pensados sistematicamente para o desenvolvimento da autoeducação.

Com isso, podemos estabelecer uma característica em comum em quase todos os instrumentos montessori: a capacidade de induzir o infante à corrigir o seu próprio erro, sem a necessidade de grandes intervenções.

Complexo? Eu explico.

Os materiais Montessorianos permitem que o aluno experimente. Essa experimentação poderá levá-lo ao erro, mas os instrumentos são autocorrigíveis, pois permitem que instantaneamente o aluno procure o modo correto de utilizar o instrumento. Segundo Montessori, isso irá permitir que o aluno sinta enorme satisfação e impede que o professor crie falas que transmitem insegurança:
“Está errado. Tente novamente.”
“Ainda não conseguiu, João?”
“Você errou novamente!”

Tais frases são comuns e são interferências desnecessárias. Mas quando utilizamos esses instrumentos elas são evitadas pois os próprios alunos conseguem perceber seu erro. Portanto, o professor não precisa mostrar para o aluno onde está o erro pois tais erros são evidentes. O professor interfere:
“Vamos fazer diferente?”
“Que outra estratégia você pode usar?”

O professor ensina ao aluno como utilizar o instrumento. Promovendo um padrão sequencial para a atividade acontecer sempre em etapas.

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O diferencial das cartas em lixa

Além de possibilitarem uma série de possibilidades diferentes para a realização dos mais variados tipos de atividades, as cartas podem ser utilizadas durante o primeiro e segundo triênio.
Abaixo podemos ver as utilizações mais comuns:

Fim do Primeiro triênio As atividades podem ser utilizadas para o reconhecimento das letras, relação som-letra, correspondência com objetos, miniaturas, cards e imagens. O reconhecimento sensorial da lixa já pode ser feito.
Segundo triênio Relação som-letra, processo de inicialização da escrita, correspondências, reconhecimento tátil das letras, segmentação da letra, coordenação motora entre outras possibilidades.

Outro ponto a ser observado: o método método e o instrumento são mais eficazes para o ensino quando a alfabetização ocorre por método fônico. 
A apresentação das letras é feita através de fonemas – dos mais simples aos mais complexos – e apenas após o reconhecimento sonoro, o aluno parte para a escrita.
Pode-se trabalhar tanto com o alfabeto em forma, cursivo ou até mesmo ambos simultaneamente.
É importante lembrar que todo esse processo é longo e somente nas últimas fases do segundo triênio, o aluno experimenta a escrita no papel. Antes, ele “pratica” e experimenta a escrita através dos sentidos.

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Nas duas primeiras figuras temos atividades comuns no fim do triênio – reconhecimento sensorial e objetos que favoreçam o lúdico. Nas duas últimas temos atividades mais complexas como a utilização das cartas em lixa junto ao alfabeto móvel e a escrita em areia.

CONCLUSÃO

Eu diria que as Sandpaper Letters deveriam ser objeto de uso recorrente por toda e qualquer professora que planeja letrar e alfabetizar. Pela sua flexibilidade, eficiência, e por ser um material que pode ser facilmente elaborado com material reciclado.
Os instrumentos e atividades DEVEM ser adaptados de acordo com a necessidade e desenvolvimento do educando, sem pressa e no tempo do aluno.
É preciso saber que, como professores, devemos levar o aluno a vivenciar experiências que o leva  ao conhecimento. Mas que somente com OBSERVAÇÃO podemos inferir quando o aluno pode ou não mudar de nível.
A educação deve promover a autonomia, portanto, é pautada na individualidade. Deve levar em consideração o tempo, o interesse e as potencialidades de cada educando.
As letras em lixa, junto aos livros, recursos diversificados e a boa formação profissional, possibilitam que o aluno tome posse da escrita de maneira organizada e planejada.

*Imagens da internet

 

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